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Prevenindo O SUSTO – E a ansiedade de resultado

8 de abril de 2016
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o sustoImagine que você vai fazer uma super viagem, inédita! Mas como essa viagem ainda vai demorar, várias amigas e “mochileiros profissionais” chegam pra você e começam a te dar as dicas, pois já fizeram o mesmo roteiro, você entra em blogs e sites de turismo pra pegar mais informações, você vê vídeos do YouTube das principais atrações… A oportunidade é única, nada pode dar errado… De forma que a expectativa e ansiedade com a viagem começam a ficar cada dia maiores… Então, em meio a tanta “informação mental”, você cria “o” roteiro, e fecha os olhos para os outros, porém com alguns pingos de insegurança, sem saber se fez as escolhas certas.

E aí você viaja… Mas por mal tempo, atraso, briga com marido e filhos, seu primeiro dia é péssimo, e nada do roteiro foi cumprido. O desespero bate, e você pensa: lascou, deu tudo errado. Mais pra frente, pra completar, por oportunidades e gostos individuais, cada coisa que você programou vai ficando também diferente, nada tendo a ver com “o” roteiro. Mas não tem nada que faça essa viagem ficar ruim, pois a quantidade de dias, os lugares que você escolheu pra visitar, o hotel e as atrações são boas demais pra você se decepcionar “à toa” com os percalços. E no final das contas, a viagem foi excelente, por motivos óbvios, mas completamente “diferente” do que você tanto esperou!

A expectativa da paciente com o resultado de sua cirurgia, por mais simples que ela seja, é IMENSA. Para ela, é “o” dia. Deve haver um equilíbrio emocional, mas isso não é fácil, principalmente nos dias atuais, com as várias opiniões profissionais, experiências paralelas e a internet. Ainda mais se a cirurgia é marcada com muita antecedência…

A nossa obrigação ÉTICA, como forma de prevenção de inseguranças ou ansiedade, é a de INFORMAR. Temos que tentar trazer à tona o máximo de realismo de tudo o que pode acontecer, utilizando de nossos conhecimentos técnicos e experiência, pois “já sabemos o caminho a percorrer”. Devemos discutir opções e riscos, pois por mais que tenhamos o objetivo do melhor resultado, trabalhamos com a individualidade do ser humano, dos seus sistemas corporais e de sua cicatrização. Não podemos, por exemplo, mostrar fotos, fazer simulações ou prometer coisas concretas, pois não temos o total controle do pós.

Porém, em paralelo, temos também outra função, que é a de prestar ATENÇÃO PSICOLÓGICA, pois toda a confiança nos foi dada. Para nós, ela é mais uma paciente, mais um abdome, mais um peito, e o que teremos no pós já foi de rotina visto e previsto. Para ela, ela é 100%, e tudo é novo, e é nela! Devemos ACALMAR a alma, esclarecer dúvidas e ter paciência para ouvir e saber explicar as limitações e o tempo necessário para que os resultados comecem a surgir. Evitar que a paciente sinta uma frustração precoce, temporária e desnecessária, ou que tenha um SUSTO de um primeiro olhar no espelho, alimentado pela ansiedade e imediatismo de resultado, ao não se ver como tanto se imaginou.05.28-dismorfofobia-300x300

Assim, no final das contas, a “viagem” programada, no seu devido tempo e com sua única e exclusiva forma, pelas boas escolhas feitas previamente, valerá a pena.

 

Texto: Dr. Ernando Ferraz.

 

O ESTÔMAGO ALTO – Quem é esse vilão?

25 de março de 2016
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estomago altoMuitas mulheres já ouviram falar ou sofrem com um problema que, rotineiramente, é chamado de ESTÔMAGO ALTO. Na verdade, não existe “o” problema de estômago alto. Diversas situações podem fazer com que uma mulher tenha essa deformidade.

 

 

Assim, vou elencá-las aqui e explicar o que leva a cada uma delas:

biotipos corporais mulher

  • biotipo corporal – basicamente existem 5 biopitos corporais femininos, de acordo com as proporções entre o tórax, cintura e quadril, que são: triângulo, retangular (também chamado de quadrado), oval, ampulheta e triângulo invertido (VER FIGURA). Os biotipos OVAL e TRIÂNGULO INVERTIDO, por predominarem diâmetros mais avantajados em região de tórax e cintura, são os que deixam mais a aparência do estômago alto:
    1. oval – geralmente são mulheres que nunca tiveram um corpo “violão”, devido à sua herança genética (geralmente a mãe ou tias têm o corpo parecido). Há uma tendência a engordar e acumular gordura intra-abdominal, deixando o abdome globoso e o corpo ovalado. O biotipo retangular pode, com o tempo e ganho de peso, tornar-se oval;
    2. triângulo invertido – pelo mesmo motivo da herança genética, são mulheres que têm ombros largos e quadril pequeno. O gradil costal (caixa torácica) é aumentado em toda a sua circunferência, inclusive no diâmetro antero-posterior, e a região da transição entre as bordas das costelas e o abdome é alta e proeminente;
  • weight-2gordura intra-abdominal – existe muita gordura depositada nos nossos órgãos internos, principalmente no intestino (VER FIGURA). A gordura, quando acumulada com predominância intra-abdominal, deixa o abdome mais globoso, e mesmo que a pessoa contraia a musculatura, a região superior fica mais volumosa;

 

 

  • gases – como todos sabem, o ar “sobe”, então quando estamos com muitos gases no estômago ou intestino, geralmente produzidos pela alimentação de predominância gasosa e deglutição (sim, engolimos a cada instante o ar, que cai no estômago), esses órgãos ficam distendidos, e esse acúmulo gasoso se aglomera na parte superior do abdome;
  • constipação – associado ao acúmulo de gases, devido à má alimentação, é comum o volume intra-abdominal ficar cronicamente alterado devido ao acúmulo crônico de alimentos de difícil digestão e fezes;
  • diastasediástase dos músculos reto-abdominais – a musculatura abdominal é praticamente a única responsável por “segurar” o conteúdo inteiro do abdome, que inclui mais de 2 metros de alças intestinais, dentre outros órgãos. Em uma eventual situação de diástase, seja por herança genética ou por esgarçamentos após gravidezes, os músculos se afastam e deixam o abdome sem nenhuma capacidade de resistência na linha média (VER FIGURA), sendo cerca de 80% dessa falha no segmento acima do umbigo;
  • inatividade e atrofia muscular– de forma similar ao explicado no item anterior, numa situação de inatividade do sistema musculo-aponeurótico do abdome, pela FALTA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS ou IDADE MAIS AVANÇADA, esse “sistema de contenção” abdominal fica frouxo e incapaz de segurar o conteúdo interno, deixando o abdome globoso e abaulado;
  • lipodistrofia – é o acúmulo de gordura no tecido subcutâneo, comum em mulheres sobrepeso ou com grau de obesidade. Em maior acúmulo, pode ser responsável por “avolumar” o abdome superior;
  • lipodistrofia e flacidezflacidez de pele – geralmente associado ao item anterior (gordura) (VER FIGURA), formam dobras e redundâncias, deixando irregularidades e  indesejados abaulamentos logo acima das bordas do gradil costal e acima do umbigo.

 

 

Enfim, se você tem ou acha que tem estômago alto, tenho certeza que você se enquadrou em alguma (MAIS DE UMA, GERALMENTE) das situações descritas aqui.

Inclusive muitas cirurgias de LIPOASPIRAÇÃO, ABDOMINOPLASTIAS OU MINIABDOMINOPLASTIAS podem não ser tão bem sucedidas devido a muitas dessas características.

Seu cirurgião deve fazer uma boa avaliação de seus hábitos de vida, alimentares, características genéticas e estrutura corporal, para chegar à melhor decisão de como resolverá (ou não) de forma eficaz o(s) seu(s) problema(s).

Texto: Dr. Ernando Ferraz.

Prótese de mama – O que é RIPPLING? Como surge e como evitar?

29 de fevereiro de 2016
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silicone-or-salineComo já expliquei em postagem anterior, o implante de silicone normalmente é revestido e preenchido com POLÍMEROS de silicone.

Quando um implante é colocado por “dentro” da mama, seja embaixo da glândula mamária ou do músculo, o corpo produz um tecido fibroso ao redor do mesmo chamado cápsula.

 

Em algumas pacientes, essa cápsula e esse implante podem ficar visíveis ou palpáveis, devido principalmente à pouca espessura dos tecidos que se interpõem entre a pele e o implante. Essa situação pode ocorrer logo no início do pós operatório ou ao longo do tempo.

Em casos mais avançados, dobras e ondulações surgem, como se fossem “estrias internas”. Isso é o que chamamos de RIPPLING. Esses RIPPLINGS, ou dobras, se tornam mais percebíveis quando a paciente inclina seu tronco pra frente, como se fosse se abaixar. Pode se apresentar em qualquer área da mama, porém é mais frequente na região lateral.

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As pacientes mais susceptíveis a essa situação são:

  • pacientes muito magras;
  • pacientes com pouquíssimo tecido mamário (glândula);
  • pacientes com pele flácida ou atrófica;
  • implantes de longa data.

Avanços tecnológicos na fabricação dos implantes vêm diminuindo a ocorrência de RIPPLING, devido principalmente a duas mudanças:

polyurethane_q_a_page1 – Graças aos cruzamentos das cadeias dos polímeros de silicone, o preenchimento do implante vem sendo feito de um material mais grudento, coesivo. Essa alta coesividade dá estabilidade da forma, fazendo com que implantes possam ser produzidos em vários formatos, e a mudança postural do corpo (horizontal ou vertical) não altere a sua conformação; e

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2 – Os invólucros estão mais preenchidos (“estufados”) de gel de silicone, como uma bola que fica cheia de ar, e que não faz dobras ou enrugamentos. Até certo tempo, os “envelopes” não eram totalmente preenchidos, ficando depressões e ondulações em sua superfície.

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O RIPPLING nãomarin-aesthetics-silicone-implants2-san-diego-la-jolla é uma situação grave, não é doloroso, e a grande maioria das pacientes convive bem com essa patologia. É importante que a paciente faça avaliações periódicas dos implantes e das mamas c
om o cirurgião plástico, para que sejam tomadas as condutas adequadas para cada caso, e no momento oportuno.

 

Texto: Dr. Ernando Ferraz

Em 29/02/2016

5 polêmicas sobre PRÓTESE DE MAMA

13 de novembro de 2015
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imagem protese de mama1.“Prótese suspende a mama caída”- Em situações em que há uma certa flacidez de pele, a prótese dá preenchimento à mama de forma que a mesma fica mais tensa e menos frouxa, elevando levemente o posicionamento das aréolas, melhorando a forma e evitando até uma cirurgia mais complexa. Porém, se já há uma queda real da mama, e, principalmente das aréolas, isso não evitará a cirurgia de suspensão.

2.“Vai ter menos cicatriz nos casos de suspensão”- Nos casos em que há queda da mama, a presença da prótese, por preencher a frouxidão e esticar a pele, geralmente faz com que o cirurgião consiga retirar menos pele, gerando, consequentemente, cicatrizes mais reduzidas. Porém, há um lado negativo, pois quanto maior a prótese na tentativa de se evitar essas cicatrizes, maior o volume final e peso da mama, e a tendência à queda futura.

3.“A prótese é vitalícia, não vai mais precisar trocar”- Pode até ser que não precise, se for colocada em uma idade mais avançada (o que é raro), mas essa informação não pode ser dita. O que ocorre é que os fabricantes, como uma forma de marketing, divulgam que a garantia da prótese para ruptura é vitalícia, gerando uma má interpretação da realidade. A prótese é feita com material de silicone de alta tecnologia, mas isso não a isenta de sofrer um desgaste normal com o tempo. Uma prótese com 10 anos de colocação, por exemplo, já não tem a mesma resistência a um impacto que uma recém colocada, mas não significa que ela deva ser substituída, se não está havendo nenhum problema físico. Além disso, vários outros motivos podem levar a uma troca, após 1 ou até somente após 20 anos, como: desejo da paciente de mudar o tamanho, queda da mama pela flacidez do tempo, contratura da cápsula da prótese e, muito raramente, ruptura da prótese.

4.“Você vai amamentar normalmente”- Isso não pode ser afirmado. Mulheres não conseguem amamentar seus bebês por diversos motivos. A presença da prótese dentro da mama por si só não leva a nenhum impedimento relacionado à amamentação, pois ela fica isolada do parênquima mamário (separada por uma cápsula), porém, cicatrizes mamárias internas decorrentes de uma cirurgia podem, sim, dificultar uma futura amamentação. Não há, na atualidade, trabalho científico que prove que uma determinada cirurgia ou outra de colocação de prótese possa atrapalhar ou não, nem a incidência em que isso possa ocorrer, portanto esse item deve ser bem conversado entre a paciente e cirurgião antes do procedimento.

5.“Prótese atrapalha exame de mamografia e ultrassom e a detecção de câncer de mama”- Atualmente, isso não pode ser afirmado. Há tempos atrás, já atrapalhou muito, porém esses exames são dependentes da experiência do radiologista e da qualidade das máquinas que realizam os exames. A grande demanda de pacientes com próteses e a melhoria da tecnologia dos aparelhos de imagem fazem com que a sensibilidade para detecção de alterações mamárias (nódulos ou câncer) seja altíssima, não havendo prejuízo algum na realização dos exames de rotina e na descoberta de doenças benignas ou malignas. Além disso, o radiologista pode lançar mão da Ressonância Magnética, que é um outro exame extremamente sensível e que apóia o diagnóstico.

Texto: Dr. Ernando Ferraz

Você sabe o que é FIBROSE?

3 de outubro de 2015
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Com certeza já deve ter ouvido falar, mas aqui irei explicar direitinho de forma que você entenda bem…

Antes de mais nada, fibrose é cicatriz, é a sequela de um ato cirúrgico.

E outra: fibrose é diferente de fibroso.

Sabe aquela carne com aqueles “nervos”, que a gente mal consegue mastigar ou cortar? Aquilo é um tecido fibroso, que tem também no nosso corpo, principalmente em tecido subcutâneo gorduroso e muscular, e se assemelha muito à fibrose cicatricial em termos de consistência e elasticidade. São esses tecidos fibrosos que, por exemplo, dão formato aos músculos, gerando depressões ou saliências.

Então voltando à fibrose… Quando realizamos QUALQUER PROCEDIMENTO CIRÚRGICO o corpo responde com tecido de cicatrização, que envolve uma vasta reação físico-química de reparação e de produção de colágeno. Esse processo é demorado, e deixa sequelas. Na pele, o resultado que se vê é a cicatriz. E profundamente, é a fibrose.

Cicatrizes e fibroses são invariavelmente permanentes, e, em algumas vezes, quando não ocorre uma boa cicatrização (o que pode ocorrer por diversos motivos), podem causar sintomas estéticos e funcionais, como dor, retrações (aderências), repuxamentos, falta de elasticidade, limitação de movimentos ou exercícios.

A anatomia “natural” do corpo é sempre “quebrada” pela cirurgia, e é de extrema importância que a paciente esteja ciente e preparada psicologicamente para isso. Não estou dizendo que é ruim ter uma cicatriz ou fibrose, nem querendo desanimar para se fazer uma cirurgia. Normalmente a presença das cicatrizes não superam o benefício de um procedimento bem indicado, e os distúrbios funcionais são raros.

A situação ideal de um pós operatório é uma cicatriz de excelente qualidade e com o mínimo de fibrose no subcutâneo. Isso não pode ser prometido, pois a cicatrização depende de vários fatores, porém uma cirurgia bem realizada e um pós com disciplina e cuidados coadjuvantes podem minimizar bastante essas complicações. Ao mesmo tempo é necessário dar o tempo adequado de recuperação, remodelação e amadurecimento das cicatrizes e dos tecidos do corpo.

Texto: Dr. Ernando Ferraz

Foto: retirada do arquivamento público do Google Imagens ao digitar o termo “fibrose”, mostrando uma fibrose temporária de subcutâneo no pós operatório de uma lipoaspiração.

 

A experiência….

25 de agosto de 2015
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EXPERIENCIA O que ganhamos com a vida? O que, invariavelmente, acumulamos à medida que o tempo passa? Sim, experiência.

No meio médico, ter experiência é, sobretudo, ter maior vivência com as doenças, as mais variadas possíveis, de forma que o conhecimento se acumula.

Do ponto de vista cirúrgico, trabalhamos diariamente para que o paciente não tenha complicação operatória. Ou seja, trabalhamos para não viver uma situação de complicação. Mas e a experiência com ela, como fica, se você a tem raramente? Quanto menos experiência, melhor?

Ocorre que, mesmo tendo passado vários anos de profissão, se o médico não tem contato com uma determinada doença ou situação clínica, ele não terá experiência.

Dessa forma lançamos mão da evidência científica. A evidência científica está nos livros, nos artigos, nos congressos, na experiência de outrem, e faz com que um profissional inexperiente ganhe conhecimento e saiba lidar com uma situação da forma mais correta possível, mesmo sem vivê-la diretamente, já que ela já foi estudada e vivida por outros, muitas vezes do outro lado do mundo.

No fundo, a situação ideal, para um cirurgião, seria: ter experiência vivida para saber julgar, operar bem, e assim ter o mínimo de complicações, e ao tê-las, ter “experiência” baseada na evidência científica.

Nada, absolutamente nada, se compara à experiência adquirida por uma complicação sua. Ter uma complicação, principalmente das mais sérias ou raras, é uma experiência que transcende o ganho de conhecimento médico. É uma experiência da alma, vivida com o coração, e eternizada. Para um médico responsável e humano, que procura sempre agir de forma prudente e ética, é uma faca no peito. Infelizmente, ao longo da vida, da profissão, estamos sujeitos a isso. Como se diz por aí, faz parte… Somos humanos, e tratamos humanos, organismos, e não números ou coisas inanimadas, e temos que ter maturidade e autocontrole para seguir em frente.

 

Texto: Dr. Ernando Ferraz

 

Você sabe o que é CONTRATURA DE PRÓTESE??

18 de julho de 2015
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Se você já tem ou pensa em colocar próteses de silicone, já deve ter ouvido falar em uma situação anormal chamada contratura, contratura da prótese, da cápsula, ou encapsulamento. Todas as pacientes com prótese podem, um dia, passar por essa situação. O risco de ocorrência é baixíssimo no início, mas aumenta ao longo dos anos. Pacientes que realmente precisam de próteses não devem se desencorajar por saber dessa patologia, pois a satisfação ao longo dos anos supera e muito o seu risco. Porém é muito importante que as pacientes que já têm volume mamário saibam dessa possibilidade antes de querer “trocar” o seu parênquima mamário pela prótese numa mastoplastia, situação que vem ocorrendo bastante atualmente.

Reação normal. Assim que as próteses são colocadas, o organismo ativa uma reação de inflamação ao seu redor, devido à presença do silicone, chamada de reação de corpo estranho. Um tecido fino e elástico, como um lençol, é então formado entre 2 a 3 meses de pós operatório. Chamamos esse tecido de CÁPSULA. Em condições NORMAIS, as próteses têm uma livre mobilidade nas mamas. Quando a espessura da pele é fina ou há pouco volume mamário que a recobre, a paciente pode sentir irregularidades na pele da mama ou até palpar essa cápsula, porém, não há nada de anormal nisso, porém o seu cirurgião deverá ficar ciente e você deverá fazer suas avaliações periódicas normais.

Situação anormal. Uma situação anormal ocorre quando essa reação inflamatória de corpo estranho já citada passa a ser exagerada, e uma cápsula inelástica, retrátil e espessa (fibrose) se forma. Isso é o que chamamos de CONTRATURA, devido ao “estrangulamento” que ocorre com a prótese.

Causas. Apesar de muito se achar, esse processo não é considerado uma rejeição. Alguns fatores que favorecem a sua ocorrência são:

  • Hematomas
  • Coleções líquidas (seromas)
  • Ruptura da prótese
  • Infecção
  • Traumas

Porém, em uma boa parte das vezes, não se consegue determinar a causa dessa contratura. E o risco de surgir cresce lentamente ao longo do tempo… Trabalhos mais recentes indicam uma prevalência de 2,4-8,8% em 6 anos, e 18,9% em 10 anos.

Sintomas. O sinal clínico mais comum percebido pela paciente é uma deformidade associada a uma menor mobilidade da mama e endurecimento. Em graus mais avançados pode causar dores e assimetrias. Faz-se necessário uma avaliação clínica e radiológica para se confirmar o diagnóstico.

Tratamento. A contratura capsular não é uma urgência, porém é importante que todas as pacientes operadas sejam avaliadas periodicamente pelo seu cirurgião, para que esse diagnóstico seja feito o mais precocemente possível a fim de se programar o tratamento, que é a troca das próteses com retirada dessa cápsula patológica.

Texto: Dr. Ernando Ferraz.

10 principais DICAS para o SUCESSO e SATISFAÇÃO com sua cirurgia plástica

30 de janeiro de 2015
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  1. Plastic-Surgery-Wilmington-NC-Dr.-BlanksO CIRURGIÃO PLÁSTICO NÃO COLOCA CICATRIZES PORQUE QUER. Ele as coloca porque há necessidade, seja por flacidez ou pela técnica cirúrgica utilizada.
  2. O CIRURGIÃO PLÁSTICO TAMBÉM NÃO QUER QUE SUAS CICATRIZES FIQUEM FEIAS, grossas ou escuras – é o seu próprio corpo o principal responsável pela qualidade delas, por mais que o cirurgião “capriche”, use os melhores fios de sutura, ou por mais que você tome todos os cuidados possíveis.
  3. A CIRURGIA NUNCA É TOTALMENTE PREVISÍVEL. Qualquer cirurgia plástica tem suas limitações e riscos, independente de você ser saudável ou de seu cirurgião ser cuidadoso, eapesar de serem tomadas as devidas precauções de segurança.
  4. PERFECCIONISMO DEMAIS GERA INSATISFAÇÃO. Por mais que o cirurgião trabalhe com perfeccionismo, seu corpo pode ter imperfeições impossíveis de serem corrigidas – é preciso ter certo grau de tolerância, evitando a busca pelo “resultado perfeito”.
  5. EVITE COMPARAÇÕES com artistas da mídia ou pessoas ao seu redor – cada corpo tem suas particularidades e limitações, portanto os resultados nunca serão os mesmos de um indivíduo para o outro.
  6. SIGA ESTRITAMENTE AS RECOMENDAÇÕES – o resultado depende, em grande parte, de cuidados que o paciente tem no período pós operatório.
  7. PROCURE ESCLARECIMENTO sobre os detalhes, expectativas de resultados e riscos da cirurgia e do pós operatório – hesite em se operar caso não esteja se sentindo seguro.
  8. NÃO ESCONDA NADA DE SEU CIRURGIÃO – uso de medicações, hábitos de vida social, vícios, doenças, resultados antigos de exames – tudo pode influenciar no comportamento de seu organismo durante a cirurgia e o pós operatório.
  9. CONFIE NAS CONDUTAS E ORIENTAÇÕES DO SEU CIRURGIÃO – ele é o profissional especializado mais capaz de lhe orientar – evite seguir recomendações e opiniões paralelas, seu cirurgião estará pronto para responder quaisquer dúvidas.
  10. MELHORE TAMBÉM SUA QUALIDADE DE VIDA – cirurgia plástica não é como uma roupa que você compra, logo sai de moda e então você procura outra – ao fazer uma cirurgia, comprometa-se com uma mudança de hábitos e de estilo de vida – exercícios físicos, alimentação saudável e redução do nível de estresse do dia a dia irão perpetuar e valorizar seus resultados.

Texto: Dr. Ernando Ferraz.

Lipoaspiração – Quantidade Não é Qualidade

18 de novembro de 2014
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gorda-magra-thinkstock-300-338Conversa entre amigas:

Amiga 1 – “-Amiga, fiz uma lipo, aspirei 4 litros!”

Amiga 2 – “-Eu também, amiga, mas a minha foi só 1 litro e meio…”

 

Pensamento dessas amigas:

Amiga 1 – “Minha lipo foi melhor que a dela, aspirei muito mais…. 🙂 hehehehe”

Amiga 2 – “Acho que meu cirurgião não é tão bom quanto o dela, ele aspirou tão pouco… 🙁 snif “

 

Grande engano no pensamento das amigas… Quantidade de volume aspirado não tem NADA A VER com melhores resultados!

Existem vários motivos que envolvem o volume total de uma lipoaspiração, dentre eles:

  • Perícia do cirurgião
  • Técnica utilizada
  • Tipo/padrão da gordura corporal
  • Porcentagem de gordura corporal

A primeira coisa que já está errada e que NÃO deve ser feita é a comparação entre pacientes de diferentes cirurgiões. Porém, partindo do princípio que a técnica e o cirurgião são os mesmos, o que podemos afirmar é que quanto mais gordura for aspirada de uma paciente, mais se tinha gordura para aspirar. Sendo que, na grande maioria das vezes, essa era a mais gordinha das duas (Amiga 1). E a mais gordinha, infelizmente, tem 2 características que, na verdade, deixam o resultado da cirurgia não tão bom quanto o da mais magra (Amiga 2), que são a flacidez e a fibrose pós.

Vou explicar…

  • Flacidez: devido a fatores genéticos, alimentares e hormonais, a paciente mais gordinha (aquela que se gabou por aspirar mais) desenvolveu ao longo do tempo, devido a uma modificação na arquitetura das camadas da pele, uma flacidez definitiva. Ao mesmo tempo, o tecido gorduroso em excesso e a frouxidão dos tecidos conectivos subcutâneos permite um “deslizamento” mais fácil da pele sobre a musculatura, fazendo a pele parecer ainda mais flácida.
  • Fibrose: é comum após uma lipo. É uma espécie de cicatriz interna, porém algumas vezes com uma formação aberrante e irregular, podendo causar imperfeições do relevo da pele quanto mais fina e flácida ela for. Da mesma forma, quanto mais agressão ao tecido subcutâneo, como ocorre nas grandes lipos, mais chances dessas irregularidades aparecerem.

Em resumo, a MELHOR paciente candidata a uma lipoaspiração não é a que mais tem gordura para aspirar, e sim A QUE TEM MENOS. Geralmente sua pele é mais firme, fazendo o resultado parecer natural, além de desenvolver menos fibroses, e, consequentemente, menos imperfeições.

Texto: Dr. Ernando Ferraz.

 

A Sarada Adoentada

3 de novembro de 2014
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Depois da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa, vem aí a “Hipertrofia Nervosa”! Aliás, você sabe o que é o Complexo de Adonis?

Adonis, na mitologia, era considerado um deus grego, ícone da beleza masculina. O Complexo de Adonis se caracteriza por um transtorno dismórfico (distorção da forma) onde há uma preocupação exagerada ou uma obsessão pela imagem corporal hipertrofiada. É também chamado de vigorexia, ou dismorfia muscular. É muito comumente encontrada no fisiculturismo. Em outras palavras, é uma doença da mente que faz com que a pessoa se ache compulsivamente magra ou fraca demais.

juju-salimeni-antes-da-fama  Na onda contrária da maré das anorexias e bulimias nervosas, um perfil feminino vem se tornando cada vez mais comum na sociedade, gerado pelo crescimento exponencial do culto da imagem e do corpo promovido em redes sociais, mídia televisiva e internet em geral. As selfies ou belfies de Jen Selter e as dicas e vídeos das musas fitness Bella Falconi e Eva Andressa são exemplos disso. Você já viu como eram jujumagrinhas as brasileiras Juju Salimeni e Gracyanne Barbosa 10 anos atrás? O histórico delas é quase sempre o mesmo: trauma da magreza e falta de bunda. E a idéia é “secar”.

Essa autocobrança, aliado a outros fatores, como a ansiedade e a insegurança em sua personalidade, é responsável pela febre das academias, personal trainers, nutricionistas, cirurgiões plásticos e agora nutrólogos. Nunca na história se ouviu tanto falar por aí em whey, suplementos, modulação hormonal, insulina, beta-hcg, testosterona, bupropiona, sibutramina e diuréticos. É o que estou chamando de “Hipertrofia Nervosa”. Um comportamento semelhante à doença descrita acima, porém talvez em menor grau.

eva andressa2 Esse estresse psicológico, em casos mais graves, pode levar a sintomas como no Complexo de Adonis: comportamento antissocial, ansiedade exagerada, depressão, dificuldade de relacionamento, de se olhar no espelho e medo de “ficar fina” de novo. Além disso, inúmeros efeitos colaterais podem surgir do uso das substâncias e medicações que citei acima. Para completar e piorar (no meu ponto de vista), ocorre a chamada masculinização do corpo, e algumas vezes da voz. Dia desses vi uma foto no Instagram que não conseguia acreditar que se tratava das coxas de uma mulher (anexo)…

Como homem e cirurgião plástico, admirador da beleza feminina, considero essa tendência uma grande aberrafoto 2ção. Uma aberração mental. Na verdade, um sofrimento mental, mas que não é “postado”. Infelizmente, o que se publica é a foto, a superficialidade do corpo. E o pior é que viraliza, que contagia, que vira febre.

Seria preciso que essas mulheres percebessem quando está ocorrendo o distúrbio, para que iniciassem o tratamento, com apoio social, terapia psicológica e até psiquiátrica. Porém, a não aceitação do problema e a convivência com outras pessoas do mesmo meio e mesma mentalidade geram um ciclo vicioso crescente de amizades e comunidades relacionadas difícil de se mudar.

Gracyanne_BarbosaTexto: Dr. Ernando Ferraz