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A experiência….

25 de agosto de 2015
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EXPERIENCIA O que ganhamos com a vida? O que, invariavelmente, acumulamos à medida que o tempo passa? Sim, experiência.

No meio médico, ter experiência é, sobretudo, ter maior vivência com as doenças, as mais variadas possíveis, de forma que o conhecimento se acumula.

Do ponto de vista cirúrgico, trabalhamos diariamente para que o paciente não tenha complicação operatória. Ou seja, trabalhamos para não viver uma situação de complicação. Mas e a experiência com ela, como fica, se você a tem raramente? Quanto menos experiência, melhor?

Ocorre que, mesmo tendo passado vários anos de profissão, se o médico não tem contato com uma determinada doença ou situação clínica, ele não terá experiência.

Dessa forma lançamos mão da evidência científica. A evidência científica está nos livros, nos artigos, nos congressos, na experiência de outrem, e faz com que um profissional inexperiente ganhe conhecimento e saiba lidar com uma situação da forma mais correta possível, mesmo sem vivê-la diretamente, já que ela já foi estudada e vivida por outros, muitas vezes do outro lado do mundo.

No fundo, a situação ideal, para um cirurgião, seria: ter experiência vivida para saber julgar, operar bem, e assim ter o mínimo de complicações, e ao tê-las, ter “experiência” baseada na evidência científica.

Nada, absolutamente nada, se compara à experiência adquirida por uma complicação sua. Ter uma complicação, principalmente das mais sérias ou raras, é uma experiência que transcende o ganho de conhecimento médico. É uma experiência da alma, vivida com o coração, e eternizada. Para um médico responsável e humano, que procura sempre agir de forma prudente e ética, é uma faca no peito. Infelizmente, ao longo da vida, da profissão, estamos sujeitos a isso. Como se diz por aí, faz parte… Somos humanos, e tratamos humanos, organismos, e não números ou coisas inanimadas, e temos que ter maturidade e autocontrole para seguir em frente.

 

Texto: Dr. Ernando Ferraz

 

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